Resenha: Fãs do Impossível

Minha nota: 
Nome: Fãs do Impossível
Autor(a): Kate Scelsa
Editora: Intrínseca
Livro no Skoob

Acho que todos nós já passamos por uma fase que só nós entendemos. Sempre há essa fase de descoberta quando estamos crescendo, principalmente quando se está no ensino médio. Jeremy se sente invisível, ele estuda na St. Francis há alguns anos e só de pensar em voltar já é um tormento. Mas nesse novo ano tem alguém novo na escola, Mira é uma marinheira de primeira viagem, ela acabou de entrar na St. Francis, uma escola diferente da que ela passou os últimos 10 anos estudando. E ela torcia para que não sofresse nenhum ataque nervoso logo no primeiro dia de aula.

Um ato de bullying aconteceu com Jeremy na primavera passada, isso o abalou de tal forma que ele não queria falar com mais ninguém. Ele preferia ser invisível, mas acabou não sendo para Peter, seu professor de inglês, que tentou fazer com que ele interagisse com outros colegas ao convidá-lo para abrir um clube de arte na escola. Jeremy ama desenhar, e com a ajuda da nova aluna, Mira, ele consegue forças para adquirir as assinaturas suficientes para abrir o tal clube.

É aí que Jeremy começa a conhecer mais Mira e seu amigo, Sebby, que na verdade não estuda na St. Francis, mas mesmo assim passa a frequentar o clube de arte todas as quartas-feiras, pois ele começa a ter certo interesse pelo garoto. Sebby vive com a mãe adotiva, Tilly, e seus também irmãos adotivos. Ele é o tipo de adolescente rebelde, brincalhão e que quer viver sempre quebrando expectativas. Além disso, o Sebby é gay.

O trio se torna melhores amigos. Acabamos descobrindo os motivos pelos quais Mira mudou de escola e sua relação com a irmã e os pais. Também acompanhamos a descoberta interna do que o Jeremy realmente gosta, garota ou garoto? As dificuldades passadas por Sebby, por não ter uma família biológica. Eles são diferentes, mas também são incríveis juntos, e podemos ver os problemas divergentes de cada um se juntando. Um ajuda o outro do jeito que pode, e a amizade e o amor crescem cada vez mais entre eles.
Éramos três corpos que não sabiam onde começava um e terminava o outro, respirando juntos. Sabíamos que teríamos que voltar. Chutar para longe as folhas e nos tornar três pessoas distintas que voltariam para o mundo, forçadas a respirar sozinhas.
Chega um momento que, enfim, Jeremy percebe que sua invisibilidade não existe tanto mais. Agora está começando uma nova etapa da sua vida, com amigos com quem se importar, lugares para onde ir com eles e uma vida para ser aproveitada. Talvez sua vida e a de seus amigos seja uma bagunça, como a vida de muito adolescente hoje em dia. Com responsabilidades que talvez não pertencessem a eles, mas que de qualquer forma tinham que sustentá-las, já que não havia mais ninguém que o fizesse.

No decorrer da trama há alguns flashbacks, onde vamos descobrindo mais sobre a relação dos dois pais do Jeremy e como foi sua situação familiar. Também vemos como o Sebby e a Mira se conheceram na ala psiquiátrica do hospital há um ano, e como desde então eles procuravam viver de maneira única. Os dois adoravam vestir fantasias, usar asas com glitter, sair por aí como se nada tivesse tanta importância. E talvez não tivesse mesmo, talvez eles precisassem apenas viver daquele jeito, pois o anterior não estava funcionando.

É confuso entender a cabeça dos três, e mais confuso ainda é explicar os seus problemas sem soltar spoilers. Porém, por mais que não estejam no ápice dos seus problemas, eles ainda enfrentam seus frutos, além de novos problemas, pois eles nunca param de chegar.

O pai da Mira trata a depressão como se não fosse uma doença de verdade. Faz parecer que é só algo que acontece com pessoas que não têm o que fazer, e na vida real é o que muitos pensam. Muitos não sabem que é algo do qual a pessoa não tem controle. Isso chateia Mira, ela só quer ter sua vida, fazer o que quiser com ela, não o que os pais querem. Ela se sente uma marionete que seus pais desejam controlar completamente. Um padrão a ser seguido, igual sua irmã mais velha seguiu. Recuperar o tempo perdido e ir para uma faculdade renomada, como Harvard, por exemplo.

A sensação que dá a cada capítulo lido é de que alguma coisa pode explodir a qualquer instante. A situação deles é delicada demais, então cada coisinha fora do eixo faz com que a gente fique tenso, imaginando o que poderá vir a acontecer. Ficamos na torcida para que tudo fique bem, mas nem sempre há como controlar o que está dentro da nossa mente.

Sebby começa a andar com pessoas estranhas, principalmente com um cara chamado Nick. E isso de certa forma começa a afetar o que tem entre ele, Jeremy e Mira. O garoto está mais estranho do que era de costume, sua autodestruição está cada vez mais forte e isso preocupa seus dois amigos. Tiveram algumas cenas que eu não curti tanto assim, pois iam contra alguns dos meus conceitos.

Várias coisas foram acontecendo e o ano na St. Francis foi chegando cada vez mais ao fim. A exposição do Clube de Arte também estava bem próxima. O fim do livro não foi nada surpreendente, foi tudo muito previsível e um pouco sem graça, pra falar a verdade. Esperei que algo bem chocante acontecesse ali pelo final, mas a autora me deixou na mão e ficou um pouco sem sal. Entretanto, num total, o livro é interessante, pois vem trazer muita quebra de preconceitos enraizados na nossa sociedade. E são muitos, viu? É uma leitura para desconstruir quem têm mentes fechadas.

Compartilhe

Sobre Marlon Gonçalves

Tenho apenas 19 aninhos e ainda não li nem metade dos livros que quero ler na vida. Acho que é um mal que todos os leitores sofrem. Sou apaixonado por séries, amo escrever várias coisas: livros, poemas, contos, frases e textos para o Tumblr. Vida social? Escolhi não ter...
    Comentários Google+
    Comentários Facebook

0 comentários:

Postar um comentário